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Dimensão eclesial da missão: "Ide por todo mundo e proclamai o Evangelho…" (Mc 16,15)

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  REMAR PARA ÁGUAS MAIS PROFUNDAS

A missão não é uma atividade circunstancial da Igreja. Ela pertence ao ser da Igreja.A Igreja é, por essência, missionária.Segundo a Evangelii Nuntiandi, ela é o fruto querido e primeiro da atividade missionária de Cristo e dos apóstolos. Mais ainda: A Igreja só acabou de nascer, só foi revelada ao mundo, no dia de Pentecostes, quando a comunidade dos discípulos de Jesus se transformou em movimento missionário. A Igreja não nasceu para, depois, se tornar missionária. Ela já nasceu missionária. A sua catolicidade, ou seja, a sua universalidade, se fundamenta na missão. A Igreja é universal justamente porque é missionária desde sua origem. Se não fosse missionária, também não seria católica. Por isso a Evangelii nuntiandi afirma que ela existe em vista da missão: "Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser o canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus e perpetuar o sacrifício de Cristo na Santa Missa, que é o memorial da sua Morte e gloriosa Ressurreição" (n.14). Ser discípulo de Jesus é, pois, ser missionário. No tempo de Jesus, os rabis tinham também discípulos: pessoas que os procuravam para servi-los e ouvir os seus ensinamentos. Ser discípulo de um rabi era sinal de prestígio social. Jesus tinha discípulos, mas em condições diferentes. Não é a pessoa que procurava Jesus para ser seu discípulo. É Jesus quem a chamava. Os discípulos de Jesus compartilhavam a sua vida pobre. Ser discípulo de Jesus não era sinal de prestígio social. Jesus reunia discípulos não para servi-lo, mas para prepará-los e envia-los em missão. A finalidade do discipulado é, pois, a missão. Se a Igreja é a comunidade dos discípulos de Jesus, ela é, pois, missionária. É a assembléia dos que foram chamados para a missão.


Donde brota a missão?

A missão não brota da leitura de um livro, ainda que esse livro seja o Evangelho. A missão não brota de simples conhecimento da doutrina de Jesus. Ela não tem origem numa sala de aula, ainda que a disciplina seja a teologia. Segundo a exortação apostólica Ecclesia in América, a missão tem origem no encontro com o Cristo vivo, presente na Eucaristia, na Palavra e no próximo. Os encontros com o Cristo vivo, registrados nos evangelhos, são sempre fonte da missão. Após a ressurreição, quando os discípulos se encontram com o Ressuscitado,certamente pensavam que iriam ficar para sempre ao seu redor. Mas, após o encontro, vem sempre a missão: "Ide por todo o mundo!" "Vós serei as minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia, na Samaria, e até aos confins da terra". Sem o encontro com o Cristo vivo, não existe missão. Pode existir doutrinação, propaganda, proselitismo, mercado religioso.
Do encontro com o Cristo vivo, pela fé, pela eucaristia, pela oração, nasce a santidade de vida, ou seja, a conformação a Cristo. Sem santidade de vida, também não existe missão. Recorda a Ecclesia in América que os grande missionários foram também grandes santos. É a conformação a Cristo, ou seja, a santidade de vida, que dá a Igreja autoridade para evangelizar o mundo.

Dom Benedito Beni dos Santos
Bispo Diocesano de Lorena

 


 
 
 
 
 
 
 
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