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«Meios de comunicação social: um
desafio para a educação» é o tema da recém-publicada
mensagem de Bento XVI por ocasião da Jornada Mundial
das Comunicações Sociais, que se celebrará em 20 de
maio.
Ante esta celebração, Zenit quis
entrevistar o professor Martinez de Toda,
especialista na chamada «educomunicação» ou educação
a partir dos meios de comunicação.
O Pe. Martinez de Toda, S.J.,
doutorado em educação para os meios de comunicação,
é atualmente Coordenador de Comunicação em CPAL
(Conferência de Provinciais Jesuítas da América
Latina).
Compagina esse trabalho com aulas
na UCAB -- Guayana (Univerisdade Católica Andrés
Bello, Núcleo Guayana), e com trabalho pastoral em
um bairro de São Félix (Venezuela).
--A reflexão
deste ano para o dia das comunicações trata das
crianças e dos meios de comunicação. Que bem os
meios fazem às crianças?
--Pe.
Martinez de Toda: Em primeiro lugar,
estamos ante um fenômeno atual, que jamais se deu
antes na história humana.
Tradicionalmente, o adulto, em
concreto o pai e o avô, introduzia os meninos nas
diversas tecnologias (do campo, do artesanato,
manufatura, etc.) e as meninas nos trabalhos do lar,
ou as explicavam (a máquina a vapor, o trem, a água
corrente, etc.). A criança estava sempre junto de
seus pais.
Depois, os adultos construíram
escolas primárias, criando para as crianças um mundo
separado dos adultos, mas onde estes eram sempre
apresentados como bons e exemplares.
A criança também hoje aprende a
internet e multimídias à margem de seus pais. Mais
ainda, muitas vezes as crianças sabem mais que seus
pais sobre as tecnologias da informação e das
comunicações. Pela primeira vez na história se dá
isso no caso das inovações dos meios tão essenciais
para a sociedade e se sentem mais à vontade com isso
que seus progenitores.
Hoje em dia, a televisão volta a
reunir os filhos e os pais diante da tela. E a
televisão faz que as crianças vejam os defeitos dos
adultos, que roubam, matam, mentem...
As crianças não se contentam em
ver os programas infantis. Segundo estudos, as
crianças querem que 70% dos programas que vêem na TV
sejam infantis, mas preferem que o resto (30%) seja
de programas de adultos. As crianças sentem
curiosidade por conhecer aos adultos, o que eles
são.
Por isso, a criança atual é mais
icônica que lógica, mais sensitiva que racional,
mais intuitiva que discursiva, mais instantânea que
processual, mais informatizada que comunicada.
Tudo isso indica que já não se
pode ensinar como antes. O papel do professor mudou.
--Os meios
ajudam, mas também limitam o tempo de jogo criativo
com outras crianças, e às vezes um excesso de meios
dificulta a relação interpessoal. O que fazer?
--Pe.
Martinez de Toda: Este é um tema
delicado, pois a muitos educadores (mais antigos) é
difícil aceitar a realidade da chamada «escola
paralela» dos meios de comunicação. De fato. as
crianças passam mais tempo com os meios que na
escola.
Já o funcionalista Lasswell dizia,
na metade do século passado, que as funções são:
informar, educar e entreter, ainda que muitas vezes
o que fazem é desinformar, deseducar e fazer perder
o tempo das crianças, que deveriam dedicá-lo ao
estudo e relacionar-se com a natureza e com os
outros.
O desafio é como preparar as
crianças para que não sejam afetadas pelos elementos
nocivos dos meios.
Gosto do título da mensagem papal:
os meios são um desafio para o educador, porque são
bons e maus. Portanto, é preciso saber usá-los, e
não de uma forma meramente espontânea e improvisada.
É necessário estudá-los
disciplinadamente como «educação para os meios» ou
também «educomunicação».
--Em que
consiste a educomunicação?
--Pe.
Martinez de Toda: A educação para os
meios, que consta de seis dimensões: trata-se de que
a criança seja alfabetizada pelos meios, que seja
consciente do funcionamento e técnicas dos meios, e
que seja crítica; mas que também seja ativa para com
os meios contra a passividade, que os use com metas
e fins sociais e que saiba criar com eles.
Não se trata de novas matérias ou
disciplinas no currículo. É saber integrar a
educação para os meios ao ensinar língua, história,
religião, etc. Trata-se de algo transversal.
Também junto ao livro de texto
deve estar o DVD e outras multimídias analisadas e
criticadas também desde uma perspectiva de
comunicação.
--Desde a
Venezuela, o que a Igreja propõe para conscientizar
sobre a importância no uso dos meios de comunicação
já desde a infância?
--Pe.
Martinez de Toda: O Concílio Plenário da
Venezuela, que concluiu há dois meses, mostra-se
absolutamente consciente de como deve ser hoje em
dia a educação desde suas primeiras etapas.
Mas também se mostra absolutamente
pessimista sobre as mudanças que deveria haver no
sistema educativo. «A escola, em geral, ainda leva
pouco em conta as mudanças da cultura emergente, o
que se evidencia no desenho dos programas» (pág.
370).
Inclusive, segundo estudos
realizados pelo próprio governo, se constata que,
ainda que a quantidade de educação escolar tenha
aumentado, sua qualidade em geral descendeu nestes
últimos anos.
Neste sentido, a Mensagem do Papa
é muito útil, pois propõe algo que se necessita
reforçar.
--O que
recomendaria a pais, mães e educadores, ante a
onipresença comunicativa?
--Pe.
Martinez de Toda: Não é conveniente
deixar os filhos somente na frente da televisão.
Convém que estejam acompanhados, preferentemente por
seus pais, durante o maior tempo possível,
respondendo às suas perguntas, orientando-os,
explicando o que vêem.
Os meios são uma grande
oportunidade para que os pais se relacionem melhor
com os filhos. Devemos dar-lhes o que mais nos
custa, mas que é o que mais valorizam: nosso tempo.
Mas nas refeições não é
aconselhável ligar a televisão. É melhor aproveitar
esse momento para que os filhos contem o que fazem,
o que estudam, que se comuniquem entre si e com os
pais.
O intercâmbio dialógico e
participativo se torna essencial hoje em dia. Assim,
o conhecimento é construído em colaboração entre
vários, e eles mesmos dão sentido ao que aprendem.
Fonte Zenit
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